|
Nossa História Sou integrante do SOPRO DO ATOR desde seus momentos iniciais e hoje, além de ator, exerço as funções de produtor executivo e maquiador. Graças ao meu histórico na Companhia, recebi a função de escrever este breve relato de nossa caminhada até aqui. A Companhia SOPRO DO ATOR nasceu em 31 de agosto de 2003, quando o ator, professor, diretor e cineasta Bruno Rodrigues convidou atores e alunos-atores interessados em acompanhá-lo no processo de pesquisa teatral e cinematográfica que vinha desenvolvendo por conta própria. Ao longo dos anos, passaram pela Companhia os atores Bruno Salgueiro, Carol Perrone, Cauê Harada, Felipe Machado, Fernanda Oliveira, Flávia Paixão, Manu Passos e Teodoro Oniga. Atualmente, com mais de cinco anos de trabalho, fazem parte de nosso elenco permanente, além do próprio Bruno, Letícia Carvalho (sua namorada em 2003 e, hoje, esposa), este redator e nossa mais recente integrante, Adriana Soares. Estamos felizes com a presença dela e abertos a possíveis novos integrantes. Um nome que merece ser destacado na nossa história é o de Carol Rodrigues (1947-2008), integrante da Companhia SOPRO DO ATOR desde seu início, que atuou em diversas peças de teatro, além de filmes e programas de televisão. Sempre se destacou por seu talento para fazer rir por meio de composições inteligentes, o que a levou a ser indicada a prêmios em espetáculos como a comédia ''O Inspetor Que Enganou Geral''. Mãe de Bruno Rodrigues, foi uma inspiração não apenas para ele, mas também para os diversos artistas que conviveram e trabalharam com ela, graças à sua generosidade e profissionalismo. Carol Rodrigues era impressionante em cena, graças à sua profunda compreensão dos objetivos de suas personagens, que ela transformava em figuras memoráveis, sem exceção. A primeira vez que a vi no palco, como a inesquecível Dona Alaíde de "Pequenos Grandes Burgueses'', foi uma aula de movimento cômico e dramático. A trajetória do SOPRO DO ATOR
começou a produzir efeitos visíveis ao público
carioca com o memorável projeto Teatro em Dose Dupla, em cartaz
de abril a junho de 2004, com as primeiras temporadas de Hamlet Príncipe
da Solidão e Pequenos Grandes Burgueses, de Bruno Rodrigues.
Foi a primeira vez que todos os integrantes fundadores da Companhia
estiveram juntos em cena. Alguns do momentos mais marcantes da nossa
história, que fizeram com que nos conhecêssemos de fato,
aconteceram ao longo daqueles três meses, muitas vezes no palco.
Como esquecer de Bruno estreando como Hamlet com a cabeça aberta,
devido a um acidente num dos últimos ensaios, e ainda assim
segurando a peça inteira, transmitindo segurança ao
resto do elenco? Como conter o espanto diante de Letícia Carvalho,
até então apenas assistente de direção
e produtora em “Hamlet”, pegando o difícil papel
de Rainha Gertrudes em meras 24 horas, após o abandono de uma
integrante do elenco Foi naqueles fins de semana de outono que características definitivas do nosso trabalho em conjunto apareceram para o público que acompanhava atento os dois espetáculos – um apresentado às sextas-feiras, outro aos sábado e ambos aos domingos, quando trocávamos cenário, figurinos, maquiagem e mesmo a disposição das cadeiras na platéia em apenas 15 minutos, sem atraso. Para mim, um dos dias mais memoráveis foi quando, por não estar bem de saúde, tive dificuldade de sustentar uma das músicas que cantava em “Pequenos Grandes Burgueses. Do outro lado do palco, sem desviar o olhar da cena (não havia coxia), Bruno percebeu e sustentou a melodia com a sua voz. O fluxo se manteve, e a platéia nada reparou de anormal. Esse episódio sintetiza a proteção de um ator a outro, princípio que aprendemos desde o início. Se a percepção mútua em cena gerou situações emocionantes e divertidas, nenhuma coxia foi melhor do que a de O Inspetor Que Enganou Geral no Teatro Glauce Rocha (fevereiro e março de 2006), nossa primeira grande comédia, com toda a Companhia em cena. Inúmeras trocas de roupa eram obrigatoriamente executadas com precisão. A energia era trocada entre os atores com cada olhar, cada chapéu que mudava de mãos, cada paletó que se ajudava a vestir, cada coreografia que surpreendia a platéia. Da mesma forma, O Segredo Sexual de Glória, escrito e dirigido por Bruno Rodrigues, exige intensa pesquisa e total integração entre os atores. O espetáculo, que homenageia e celebra toda a obra do grande Nelson Rodrigues, foi um sucesso já em sua primeira temporada, no Teatro Cândido Mendes, surpreendendo o público que, mesmo sem conhecer a fundo técnicas de dramaturgia e encenação, percebe estar acompanhando algo único. Foi com essa atitude, valorizada tanto naquele melodrama de inspiração rodrigueana quanto no extremamente popular musical infantil “O Menino Que Queria Ler”, que a direção segura de Bruno Rodrigues foi nos encorajando a escrevermos nossas primeiras peças, nos iniciarmos na direção, nos tornarmos professores de teatro, tradutores de clássicos, figurinistas, aderecistas, maquiadores, produtores, assessores de imprensa. Essa transformação praticamente alquímica de uma turma de alunos, capacitada ao longo dos anos a exercer as mais diversas funções, reflete mudanças que aconteceram em cada um de nós. Da mesma forma, aprendemos muito ao lidar com pessoas que, desde o princípio até tempos recentes, se aproximaram do SOPRO para obterem lucro pessoal – monetário, artístico ou de qualquer outro tipo. E, por outro lado, fizemos amigos que, estejam hoje geograficamente mais ou menos próximos, fazem parte de uma comunidade que rejeita a discriminação, a desonestidade, o autoritarismo. Uma comunidade que se orienta a partir das lições dos grandes mestres do passado, que a Companhia SOPRO DO ATOR nunca deixou de estudar. Uma comunidade que busca no fazer artístico o jogo, a escuta e a relação que levam todos a crescerem juntos. Essa é a comunidade SOPRO DO ATOR. Essa é, sobretudo, a Companhia SOPRO DO ATOR. E continuará sendo. HUGO DART
|
Quem Somos O Sopro do Ator é um Centro de Pesquisa de Teatro e Cinema ... Produções Teatro | Cinema | Leituras Dramatizadas Depoimentos "A primeira idéia que vem a minha cabeça é a de companheirismo, percebido em cada peça, nas leituras, nos agradecimentos a cada membro da equipe."
|
|||
|
|
||||